HERMETO PASCOAL – SÓ NÃO TOCA QUEM NÃO QUER

21 março 2017

HERMETO PASCOAL – SÓ NÃO TOCA QUEM NÃO QUER

 

 

Queria escrever um texto sobre esse som do Hermeto de forma espontânea, sem consultar o que já foi dito e escrito sobre ele. Tenho só o vinil em mãos e a vontade de registrar um testemunho, uma síntese.

Para o ouvinte não familiarizado com a obra, a música do Hermeto é complicada, soa dissonante, com ruídos, labirintos sem fim… para mim são formas geniais e naturais que ele se utiliza para decodificar esse dom divino musical que ele recebe e transmiti-los a nós.  Hermeto observa o que está a sua volta e dá vazão a sua criatividade infinita através do som.

A música simplesmente flui, evocando os sons da natureza e natureza não é só os cantos dos pássaros mas tudo o que reverbera!  Hermeto ordena tudo isso e traz significado para a coisa toda usando uma cola especial, a beleza.  Como são lindas as melodias que ele escreve, tem a força de um rio caudaloso e a doçura e simplicidade de um fim de tarde.  Há labirintos sim na música dele mas somente para nos fazer sentir ainda mais reconfortados quando a melodia de um tema como São Jorge surge para nos resgatar.

O Hermeto nunca vai partir, ele vai estar sempre presente numa lufada de vento, no som das ondas do mar, no som da chuva sobre as folhas das árvores, no canto dos bichos, no estalo da madeira verde queimando e na eletricidade do ar.

Vamos a música. O som começa como se o Hermeto tivesse colocado todo mundo no estúdio sem saber o que tocar e aí ele diz, toca aí! O Jovino faz uma linha no piano e os outros instrumentos tentam seguir essa ideia e coisa começa um pouco caótica até a chegada do tema. Um dos mais belos temas que já ouvi, um motivo recorrente na música.

O colorido dos instrumentos, a voz da Silvana Malta em duo com a sanfona do Dominguinhos e o baixo do Itiberê já emocionam de imediato. É um tema cantante, que espanta os males da alma. Itiberê faz uma linha de baixo cheia de variações, sempre participativo, o baixo não se esconde, é um protagonista. Gosto quando ele desliza a mão sobre os trastes criando um som que parece o ronco de um motor. A música segue cheia de gingado até a chegada do solo da sanfona que gera uma tensão na música, principalmente com o flautim do Carlos Malta improvisando também ao fundo, um labirinto que falei ainda acima,

 não sei onde toda essa improvisação coletiva vai dar, mas daí a Silvana Malta chega e resolve a tensão com um (dá), um deleite!

A música evoca bons fluidos, não é aquela felicidade “miojo” do Pat Metheny Group, é uma constatação de que as coisas não são fáceis mas que no fim tudo vale a pena. A música do Hermeto vale muito a pena!

Quando comecei a ouvir os grandes Mestres, o que me chegava em mãos eram os discos do Miles Davis, Charlie Parker, Bill Evans… essa turma toda do Jazz americano. Para mim haviam esses caras no Olimpo e o resto. Quando comecei a ouvir o som do Hermeto e vi que ele era um dos Grandes, tudo mudou, abriu minha cabeça, tenho essa dívida com ele!

 

 

 

 

 

 

 

João Carlos Fávaro

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9 Respostas

  1. Dol77larKr

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