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Vinil Review
08 Abril 2017

Arranjadores do Brasil – Parte I

Na minha opinião para que possamos seguir enfrente, faz-se necessário que tenhamos ao menos uma pequena noção do que aconteceu na história da música brasileira, aqui com foco especificamente nos arranjadores e orquestradores. A escolha desse tema parte da necessidade de que nós como educadores, temos a responsabilidade de manter e passar para as futuras gerações um mínimo de conhecimento sobre a evolução do arranjo e da orquestração na música popular brasileira. Antes de chegarmos a primeira geração de arranjadores, faz-se necessário o conhecimento do que acontecia na Música Vocal e Instrumental. Vamos lá: 1900 Grupos e bandas de sopro; Pequenas orquestras de salão e teatro musical; Grupos mistos de cordas e sopros. 1910 surgem as Pequenas orquestras de cinema. Em 1920 sob a influência norte-americana, grupos mistos transformaram-se nas primeiras jazz-bands. Uma pequena ilustração do que comentamos pode ser conferida aqui:

 

Pixinguinha

Em 1930 surge a primeira geração de arranjadores para formações orquestrais mistas (seção rítmica, cordas e sopros) liderada por Pixinguinha, Radamés Gnattali e Odmar Amaral Gurgel conhecido como Gaó, posteriormente esta liderança foi complementada por Lyrio Panicali e Leo Perachi os quais viriam a introduzir modificações sob a influencia das seções rítmicas americana e das orquestras de música ligeira já nos anos 40/50.

Carinhoso de Pixinguinha composta em 1916, foi gravado pela primeira vez em 1928 no Álbum: O Jovem Pixinguinha, em 1936 a pedido de Orlando Silva, Braguinha escreveu a letra, que com arranjo de Pixinguinha fora gravado em 1937, confira o pequeno documentário a seguir, vale a pena!

 

Ary Barroso e Villa-Lobos

 

Em 1939, Francisco Alves grava Aquarela do Brasil de Ary Barroso com arranjo de Radamés, destacando-se ao dar tratamento rítmico aos instrumentos melódicos,vamos conferir?

 

 

 

 

 

Em 1946, Radamés Gnattali causa impacto ao fazer uso modernizado das cordas no arranjo para Copacabana de João de Barro gravado na voz de Dick Farney.

 

 

 

 

 

Tico Tico no Fubá de Zequinha de Abreu, foi o arranjo que impulsionou a carreira do Maestro Gaó para o exterior, aqui é possível conferir o arranjo feito para piano nos moldes da música de concerto.

 

Maestro Gaó

 

Ainda em 46, podemos conferir a Orquestra Columbia que era dirigida pelo Maestro Gaó na época diretor artístico da gravadora Columbia(SP)

 

 

Nos anos 50 surgia a segunda geração de arranjadores que fora encabeçada por; Lindolpho Gomes Gaya conhecido como Maestro Gaya, Moacyr Santos, Luis Arruda Paes e Cyro Pereira, esta geração surgiu sob influência das Big-Bands norte-americana e Orquestras de Música Ligeira dos anos 40/50. Nos anos 60 (ainda na segunda geração), arranjos inovadores de Tom Jobim para Elizete Cardoso e João Gilberto, começavam a estabelecer padrões de referência para a moderna MPB. Conversaremos sobre este assunto no próximo comentário sobre os arranjadores brasileiros que com valiosíssima criatividade, contribuíram para o desenvolvimento e divulgação da música brasileira. Aguardem a segunda parte!

 

Walmir Gil

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