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Vinil Review
13 Abril 2017

Stanley Clarke (Children of Forever) – O Jazz em Minha Vida. Parte I

Salve!

 

Na década de 1970, já tinha decidido que seria músico profissional, só não sabia muito bem que escolhas faria. Pensava na regularidade de trabalho, que instrumento tocar, onde trabalhar, essas coisas.

Preferia tocar um instrumento de cordas e, como tocava violão e guitarra, optei pelo violoncelo, seria bom como carreira, poderia tocar numa orquestra, receber salário, plano de saúde, enfim, ter estabilidade financeira, problema que todo adolescente tem que enfrentar para definir o futuro.

Agora tinha que encontrar um professor! Fui informado que a filha do maestro Olivier Toni, diretor do departamento de Música da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP, estudava cello. Me enchi de coragem e fui falar com ele que me recebeu cordialmente. Quando mencionei o que tinha em mente, ele me olhou com cara de sacana e disse: “Já sei, você toca violão, não é?”.

Ele não achava que violão fosse um instrumento sério e, quando soube que eu já tinha dezessete anos, achou melhor que esquecesse o “cello”, que com quarenta anos de idade eu mal arranharia o instrumento, que deveria ter começado a estudar muito antes, enfim, me desaconselhou totalmente, mas perguntou: “Por que você não toca contrabaixo? Com dedicação, quem sabe dentro de cinco anos, já poderá ter algum progresso”.

Nesse instante, estava passando por ali, um estudante da USP, contrabaixista chamado Marco Antonio, que poderia me dar aulas. Aceitei imediatamente a sugestão, agradeci muito ao maestro, vendi minha prancheta e meu material de desenho — eu era desenhista técnico — comprei do próprio Marco um contrabaixo acústico e um método do Simandl e comecei a estudar.

 

Esse período não durou muito por falta de grana, mas já estava tocando baixo elétrico, um Snake cor de vinho lindão, emprestado de um amigo, e tentando adaptar a técnica de mão esquerda do acústico no elétrico e dava certo. Era aquela jogada dos dedos 1, 2 e 4, coisa e tal. Foi aí que conheci um cara a quem tenho uma imensa gratidão por ter me dado aulas grátis, sabendo que não poderia pagar. Seu nome é Gerson Frutuoso, grande músico e educador. Valeu Gersão!!

Por indicação dele, passei a ouvir os baixistas de jazz, principalmente Stanley Clarke no seu primeiro álbum-solo, Children of Forever, de onde destaco a faixa Bass Folk Song que fez minha cabeça e me contaminou definitivamente com o bacilo do Jazz. Foi o primeiro solo de baixo acústico com wha-wha que ouvi na vida!

Obrigado Maestro Toni (DEP), obrigado professor Gerson Frutuoso e obrigado Stanley Clarke por terem me ajudado a encontrar o meu caminho!

 

Abraços a todos

Sizão Machado

Nome da Faixa:
Bass Folk Song
Ano de Lançamento: 1973
Gravadora: Polydor
Artista: Stanley Clarke
Gênero: Jazz Fusion
Colaborador Ilustre : Sizão Machado

 

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