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Vinil Review
18 abril 2017

Allan Holdsworth- Ao som dos sinos de Bundles

 

“Sino” vem do Latim “signum”, marca, indicação, símbolo… Sons de sinos abrem a extraordinária “Hazard Profile Part One”, seguido da bateria de John Marshall que executa um solo crescente, quando se dá a entrada de uma guitarra que incendeia tudo a sua volta, em uma seção rítmica estupenda que serve de base para um excepcional desempenho de teclados e metais. Sem deixar escapar a magia do som, Holdsworth nos entrega um dos mais viscerais seis minutos de jazz rock dos anos 70, reinando absoluto com uma velocidade assustadora nas seis cordas e linhas de legato em cascata absolutamente originais!

 

Foi assim que conheci o som deste extraordinário guitarrista, um dos maiores de todos os tempos, a alma do jazz rock e do fusion, Allan Holdsworth, ao som de sinos, em “Bundles”. Se ele tivesse contribuído com nada mais do que este solo primoroso na grande abertura da obra-prima do Soft Machine, já teria sido suficiente. Mas não, sua carreira ao longo dos anos foi lendária. Seus discos são obras essenciais do jazz rock e do fusion. Sua técnica, baseada principalmente no “legato”, é inconfundível pelo som limpo produzido, uma das mais apuradas no mundo da música, suas composições são extremamente complexas, recheadas de fantásticas progressões e improvisações, com uma riqueza harmônica absurda. Além da inegável contribuição musical, Holdsworth também foi um mestre na guitarra, levando a capacidade sonora deste instrumento para paisagens nunca antes exploradas, ampliando a capacidade de improvisação da guitarra.

Amigos músicos sempre comentaram que alguns dos acordes só podem ser ouvidos em suas músicas simplesmente porque outros músicos não são capazes de fazê-los. Mesmo assim, é muito triste a constatação que, apesar de ser uma das figuras mais importantes da história do jazz rock e do fusion, atualmente são poucos os que conhecem a obra deste mestre, sendo muito raro ouvir uma de suas faixas em qualquer mídia, mesmo no Reino Unido, país onde ele nasceu. E, como tantos grandes músicos, enfrentava problemas financeiros para continuar a produzir sua música. Então, é com tristeza, mas também com uma profunda admiração e gratidão que ao som do álbum “Bundles”, com sinos ao fundo, como o conheci, me despeço de um dos maiores guitarristas que já habitou nosso planeta e que já não está mais neste plano.

Seu legado, sua grande música, porém, permanecerá entre nós. Grata, imenso Allan Holdsworth! Descanse em paz.

 

Themys Pontremoli Lima. Postado ao som do álbum “Bundles” (1975) Soft Machine.

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