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Vinil Review
18 abril 2017

Allan Holdworth – Notas soltas no ar.

Ainda perplexos, registramos nossas  impressões de Allan Holsworth

Sallaberry;

“Vou estar na Florida e te espero no show. Voce quer ir?”

Foi esse o convite de meu amigo batera Virgil Donati para que eu fosse ao show de Allan Holdsworth aqui na Florida. Admirador confesso de Allan, não perdi a oportunidade de ir e ver de perto a genialidade do mestre. Allan sempre foi único sob muitos aspectos, mas principalmente em sua forma de improvisar. Segundo os bateras que tiveram o prazer de estar ao seu lado, Allan jamais dizia o que deveriam tocar e como tocar. Ele simplesmente saia tocando… e no show da Florida não foi diferente. Acompanhado de Virgil Donati e do baixista Jimmy Haslip, Alan foi estupendo. Tocou muito, muito. Do timbre de guitarra aos improvisos e temas, provou que a genialidade está principalmente nas notas não tocadas. Silenciou várias vezes para que Virgil e Jimmy tocassem longamente.
Meu maior prazer, no entanto, foi conhece-lo pessoalmente. Gentil, simples e atencioso, foi muito mais pessoa que artista – postura de quem nasceu mestre.
O vídeo abaixo é parte da mesma tour que em 2016 visitou a Florida. Dispensa comentários.

Luciano Mazzeo;

Allan Holdsworth, em poucas linhas? Gênio, gênio total!

  …Ouvia muito…  o  “Soft Machine”, o “Metal Fatigue”( tinha uma “fita” com esses dois “sons”!), hoje tem os vídeos no youtube!!…ele novinho no SM e todos os outros, impressionante,muito!  Vou escolher o vídeo do show no japão de 1984 , porque foi o primeiro video  que assisti do Allan. É incrível a execução dos temas ao vivo (os solos, a sonoridade…)!

 

Duda Neves;

 

Tive o privilégio de estar no lugar certo, na hora certa

Foi quando morei em Nova York, 1980, na casa de shows Botton Line, show com a banda de Bill Bruford, baterista do Yes, trabalho solo e na guitarra o incrível Allan Holdsworth. Seu trabalho com o grupo de Tony Willians Lifetime já tinha me dado a ideia do que iria ouvir e foi mágico. Um som de guitarra peculiar, frases diferentes, uma linguagem Jazz Rock que se iniciava nos idos dos anos 60 e 70.  John Mclaughlin e Allan Holdsworth apresentavam na época, os novos conceitos da evolução da História da Guitarra. Tive a cara de pau de gravar o show com um gravador de reporter escondido no casaco, nos USA é proibido tirar fotos das apresentações e gravar ainda deve ser crime, rs. Ainda tenho a gravação em K7, vou disponibilizar, aguardem.

 

João Carlos;

Devil take the hindmost” do álbum Metal Fatigue foi meu primeiro contato com o extraterrestre Allan Holdworth. No início aquelas harmonias sofisticadas e de bom gosto que soavam num crescendo e paravam pelo meio do caminho ganharam a minha atenção, mas foi com o solo, que a música ganhou meu coração.Frases originais nunca antes escutadas me introduziam para um clima de mistério.

Tensão, riffs nervosos que repuxavam os nervos de minha face,uma metralhadora de notas caóticas que me deixavam ensandecido.

Daí num ato de compaixão, Allan Holdsworth vinha com uma solução majestosa, que trazia alívio,calma e êxtase! Entendi ali a força da música dele. Allan Holdsworth tinha  o controle sobre  o ouvinte.

 

Heraldo do Monte . Introdução por Mauro Wermelinger

“Um mestre da guitarra brasileira (Heraldo do Monte) para outro mestre Allan Holdsworth. Uma breve apresentação: Heraldo do Monte dispensa qualquer comentário, ele simplesmente libertou a guitarra brasileira no mais inovador grupo instrumental intitulado “Quarteto Novo”. Foi ele que criou a improvisação da guitarra fora da seara bebopeana, Charlie Parkeana ou até mesmo Berkeleyana, possibilitando a criatividade de uma construção melódica com a cara do Brasil. Seu texto evoca o lado do músico que no final padece praticamente sem nada sem prender a comentar sobre técnica, os discos ou sem som”.

 

 

“Estudei música com paixão, total dedicação e interesse, mas para ser um músico amador”. Não passava pela minha cabeça ganhar dinheiro com música. Mas a profissão foi me puxando e resolvi sustentar minha família, sem ter direito a um estilo e topando qualquer trabalho. De Michel Legrand a Waldick Soriano, passando por forró e até coisas muito boas. Topava tudo.

Mas acho bonito o músico que recusa trabalho que não seja o estilo que ele ama, a ponto de morrer sem um tostão. É uma vida de sacrifício e heroísmo.  Foi uma vida de sacrifício e heroísmo.

Com muito respeito e admiração, seja feliz, Allan Holdsworth.

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