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Vinil Review
18 abril 2017

Numa Fria com a Banda Vitória Régia (Tim Maia)

 

 

Tocar com Tim Maia foi um privilégio. Foram 4 anos, 92-96, acompanhando o “síndico” de nossa Música, segundo Jorge Benjor, com quem toquei também de 82 a 85. Só alegria.

Os shows lotados, ginásios repletos de gente curtindo, dançando, cantando.

Tim Maia era só sucesso, a plateia cantava todas e “- E quem não dança, segura a criança”, dizia o Mestre além de “- Mais retorno, mais grave, mais agudo” e aí vai.

Li o livro, assisti o filme e confesso: não descreveu o que era aquele homem e seu coração. Fiquei chocado com o filme onde procuraram mostrar o sensacionalismo, pintando o craque como um quase marginal, bandido. O livro retratou várias situações do artista mas, se você quiser conhecer realmente Tim Maia, converse com os músicos que tocaram com ele. Aí sim você vai se deliciar.

Uma destas pérolas foi me relatado pelo Chumbinho, baixista da banda Vitória Régia, que o acompanhou por muitos anos. A história ocorreu no Recife, festa de Reveillon, praia lotada, mais de um milhão de pessoas. O show deveria começar 23:30 e Tim celebraria a meia noite, o ano novo com seu show. Você leu certo, celebraria. Tim Maia era seu próprio empresário, cuidava pessoalmente dos contratos e responsabilidades e, como era praxe, recebia 50% do cachê do show e, os outros 50%, recebia 30 minutos antes do show, em dinheiro vivo. E, antes desse show, o pessoal veio com um cheque para pagar o cachê. Tim não teve dúvidas, se mandou, pegou um taxi ali mesmo e foi para casa no Rio de Janeiro. Sim, Recife/Rio de táxi, tinha pavor de avião. Até aí ninguém sabia de nada, simplesmente o show não rolou e o desagradável aconteceu: a banda  toda foi em cana, foram presos. Passaram a madrugada do primeiro dia do ano atrás das grades, com o delegado perguntando: “- Cadê o Tim Maia?”. E ninguém sabia de nada, ninguém sabia que ele tinha se mandado.

Chumbinho (Paulo Roberto de Lima)

Eram 6 da manhã, quando um novo delegado chamou todos em sua sala e queria saber onde estava Tim Maia. Os músicos explicaram que eram contratados, que não sabiam de nada. O delegado então perguntou quem era o mais velho da turma e o Chumbinho levantou a mão e o delegado completou: “Então você vai ficar (apontando o Chumbinho) e o resto pode ir embora, e você só sai daqui quando resolvermos essa situação”. Seria cômico se não fosse trágico: Chumbinho ficou na delegacia por mais dois dias, esperando ser liberado. No fim, a ocorrência foi para o saco com mais de 600 processos na Justiça que Tim tinha que resolver.

Cada uma que só duas. São histórias que a gente vivencia na pele. Posso dizer que durante minha participação na Vitória Régia, por uma vez, ele caiu fora e nos deixou lá na fria: em Búzios onde, meia hora antes do show, fomos embora. Tivemos que subir no palco para tirar nossos pratos, guitarra, contrabaixo, teclado e fomos hostilizados: latas de cerveja, sapatos, chinelos, pedras. Tudo durou 3 minutos de terror. Conseguimos sair aliviados.

Um belo dia, um Domingo de manhã liguei a TV Cultura São Paulo para assistir Bem Brasil, com transmissões ao vivo feitas no Sesc Interlagos. E qual foi minha surpresa quando lá, ao vivo, estava Tim Maia com uma nova banda com outros músicos. Foi assim nossa “dispensa de trabalho”, sem satisfações e sem nenhum obrigado, um valeu.

Tim era uma pessoa problemática, polêmica, com um vozeirão sem igual. Deixou um legado maravilhoso para nossa Música e muitas histórias para o Folclore Popular.

Por Duda Neves

Assista esse vídeo que fizemos para a televisão. Só alegria. Réveillon 95/96

Coloco aqui uma de suas músicas mais conhecidas e que certamente todos curtem e eu também. “Azul da Cor do Mar” do álbum Tim Maia de 1970.

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