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Vinil Review
24 abril 2017

Jorge Ben – A Tábua de Esmeraldas

Existem discos que tem uma atmosfera mística e depois de prontos, causam grande orgulho nas pessoas que nele trabalharam e participaram de sua criação. Este álbum A tábua de Esmeralda, lançado pela Phillips/Polygram em 1974, é um desses, mitos de nossa MPB, pois em 12 músicas, mostram o compositor fantástico que é o Jorge, atualmente BEM JOR e seu poder de criar músicas, ritmos e poesias misturadas em sua alquimia interna de carioca da zona norte da cidade, e sua paixão por loiras e pelo nosso Flamengo. Na faixa de abertura já diz a que veio, OS ALQUIMISTAS ESTÃO CHEGANDO OS ALQUIMISTAS, já traz toda a lucidez delirante desse artista, que tem fama de careta, mas que quando compôs para esse álbum, parece ter tomado, um LSD de café da manhã, devido a sua criatividade intensa e lisérgica, transbordando alegrias, em faixas como O HOMEM DA GRAVATA FLORIDA.

A sua devoção às musas femininas, vem gostosamente e “calientemente”, em MENINA MULHER DA PELE PRETA e MAGNÓLIA.  O suingue do negro brasileiro, carioca, vem firme na mão direita deste homem que fez o samba, e o funk americano se fundirem numa alquimia suave. A concepção de som do disco é muito interessante também, onde os técnicos e sons são super experimentais e relevantes para o que se faria a seguir na MPB. O chato é que nos cd’s clássicos, relançados anos depois, não exista a vontade de dar os créditos necessários aos músicos que tocaram nos álbuns, neste caso não sei quem tocou bateria, baixo, guitarra, por exemplo. Neste relançamento aparecem, na contra-capa do cd, os nomes de Osmar Milito, Darcy de Paulo e Hugo Bellardo, nos arranjos, em quais? Não sei…

 

O importante é que traz um Jorge puro na essência e de epiderme e derme negras de inspiração que nem as drogas trazem. É lindo ver seu lado Luther King, em ZUMBI e em, EU VOU TORCER PELA PAZ.

Quem ainda não conhece esta obra prima da MPB, vai se deslumbrar com certeza, fica a minha dica. É JORGE do bem, “dubom”.

 

 

 

 

 

Guto Goff


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