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Vinil Review
28 Abril 2017

Quarteto Novo

Salve!

 

Desde o dia em que escolhi a música como meio de vida, comecei a prestar muita atenção em tudo que pudesse me servir de referência como gêneros, estilos, músicos e discos.

Ainda bem jovem conheci por intermédio de Renato Mendes, um organista fera com quem fiz algumas “gigs”, um cara que me impressionou muito pelo bom gosto com que desenvolvia a harmonia de temas que já conhecia. Pensava: “mas ficou muito melhor assim!”.

Esse cara se chama Theo de Barros e vim a conhecê-lo mais tarde em estúdios de gravação, ora como músico, ora como produtor.

Nessa época, tínhamos uma banda que nós mesmos fazíamos questão de definir como um grupo de música brasileira progressiva, o Platô, com Duda Neves, José Neto, Léa Freire, Datcha Tenucci, Caito Marcondes, Paulo Machado e eu. Num daqueles eventos que rolavam em Sampa nos anos 1970, tivemos a honra de compartilhar palco e camarins com Hermeto Pascoal! Que vida boa! E ia ficar cada dia melhor!

No final da década de 1990, fui fazer um trabalho como sub do meu brother Zé Alexandre em Aruba e, no mesmo hotel onde estava hospedado, encontrei, depois de muito tempo, meu querido José Neto que me apresentou para, ninguém menos que Flora Purim e Airto Moreira! Desse encontro surgiu o convite para gravar no disco que Flora faria no Rio em homenagem a Milton Nascimento e uma temporada de shows de 4 semanas no Ronnie Scott’s, em Londres. É mole?!!!

A vida e suas surpresas! Pra completar, uma tarde recebo um telefonema de um guitarrista de quem sempre fui grande admirador me chamando pra umas “gigs”. Esse guitarrista era o Heraldo, Heraldo do Monte! Contei tudo isso só para dizer que esses quatro caras, Hermeto, Théo, Airto e Heraldo formavam o QUARTETO NOVO, grupo que me emocionava desde moleque em “O Fino da Bossa”, programa que tinha como apresentadora nossa querida Elis Regina, e nos festivais da TV Record em plena ditadura militar.

Quando tive nas mãos o vinil do quarteto que levava o seu nome, e foi o único disco deles gravado, fiquei totalmente envolvido e não parava mais de ouvi-lo. Tinha a nítida certeza de que seria essa a minha mais importante referência de música brasileira instrumental e até hoje não passo uma semana sem escutar ou citar essa enciclopédia, esse manual de bom gosto composicional e virtuosismo que tem uma identidade única e eterna.

E, como diz meu mestre e amigo Wilson das Neves, ô sorte!!!

 

Abraços,

Sizão Machado

 

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