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Vinil Review
04 maio 2017

Arrigo Barnabé, Duda Neves e a Vanguarda Paulistana

Arrigo Barnabé é sinônimo de Vanguarda.

Arrigo Barnabé teve seu nome divulgado quando participou do I Festival Universitário da MPB – realizado pela TV Cultura em maio de 1979 – com “Infortúnio” e “Diversões Eletrônicas”, músicas apresentadas sob a formação da Banda Sabor de Veneno.

Vaias e aplausos para “Diversões Eletrônicas”, canção de Arrigo Barnabé e Regina Porto vencedora do Festival, que se transformou num marco do movimento musical chamado de Vanguarda Paulista. Participantes da banda tiveram uma carreira brilhante como Itamar Assumpção e Vânia Bastos e formaram esse grupo de artistas inovadores, com uma música diferente, inspirada em histórias em quadrinhos, em música erudita, rock & roll, samba, valsas, numa fusão criativa de estilos.

Tive o enorme prazer e satisfação em poder acompanhar Arrigo nos anos 80 e 90, tocando as composições de seu primeiro trabalho, “Clara Crocodilo” e da gravação do antológico trabalho “Tubarões Voadores”, aclamado pela crítica nacional e internacional. Viajamos por todo o Brasil no Projeto Pixinguinha, fizemos meses de temporada no Sesc Pompeia em São Paulo, viajamos diversas vezes para a Europa participando do Berlin Jazz Fest em 1982, onde teve sua carreira internacionalizada. Tocamos no Philarmonic Theater em Berlim, no New Morning em Paris, fizemos temporadas no Theater Am Turm em Frankffurt, tocamos até nos jardins do Museu do Louvre. Arrigo pode mostrar suas composições e arrematou o apelido de “Zappa Tropical” pelo jornal francês Le Monde.

O dia em que conheci Arrigo foi engraçado. Numa noite de garoa em 1982, jantando com minha mãe em casa, toca a campainha. Minha mãe abre a porta e no portão uma figura sinistra: um cabeludo, alto, com um enorme capote preto, sinistro, e que pergunta se era ali que morava o Duda Neves. Minha mãe volta pra dentro de casa e me fala que estava lá fora uma figura esquisita me procurando, “- Um desses seus amigos malucos”, disse ela. Quando fui receber a figura, sem saber quem era, confesso que fiquei assustado, rs. Aí ele se apresentou e tudo certo, tudo resolvido. Fiquei emocionado ao receber o convite para participar da Banda Sabor de Veneno e também com o convite para tocar no Berlin Jazz Fest, na Alemanha, onde também participariam Hermeto Paschoal, Paulo Moura e o Brazilian All Stars, grupo com Robertinho Silva, Marcio Montarroyos entre outras feras. O festival ocorreria em 6 meses. Tínhamos 6 meses para ensaiar, topei.

Nosso primeiro encontro musical foi em um ensaio nosso, eu e ele, onde me mostrou a música Sabor de Veneno. A música era difícil, com compassos diferentes demais, rs e confesso que tremi. Levei uma cópia da partitura para piano para casa. Voltei no dia seguinte com um gravador cassete para ajudar a entender a proposta e aí começou nossa parceria rítmica. Foi com o finado baixista Otavio Fialho que pude entender melhor a linguagem do compositor e como vocês poderão ouvir, colocamos uma linguagem voltada para o Rock Progressivo.

Veja a partitura de Sabor de Veneno e ouça a gravação de nossa apresentação em Berlim em 82 no Youtube. Um amigo nosso gravou a apresentação transmitida por uma rádio alemã. Tem um solo meu lá.

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