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Vinil Review
01 julho 2017

Performance V – Memória musical

A memória musical é fundamental ao músico, independente de sua área de atuação: popular ou erudita.

No seu conceito mais amplo, diz-se que existem 3 formas de memorização: racional, mecânica e artificial. Esta última não é utilizada na música porque se vale de processos mnemônicos. Já as outras duas são amplamente utilizadas. No processo racional, entendemos aquilo que vamos memorizar e, assim, o trabalho se torna mais fácil e consciente. O processo mecânico se vale unicamente da repetição interminável para que o trecho a ser memorizado entre na memória muscular. É o processo mais utilizado por alunos que, ainda estando em fase de formação, não entendem estruturalmente aquilo que estão estudando.

A memorização se processa em quatro fases: visualização, compreensão, memorização e retenção. Na visualização temos o contato visual com o texto musical. Este deve ser o mais claro possível, sem trechos dúbios, com bastante contraste afim de que este contato seja de fácil percepção. Muitas vezes nos valemos de anotações, que acabam incorporando a partitura. Na fase da compreensão (que como já vimos, muitos não possuem) há que se entender a obra a ser estudada: sua harmonia, sua forma, o que é importante ressaltar, para que se faça inteligível o texto abordado. Isto facilita em muito todas as fases posteriores.

Na memorização propriamente dita, inicia-se a repetição a fim de que as várias memórias musicais, em especial a muscular, auditiva e analítica, entrem em ação. Uma vez memorizado o texto musical, é preciso retê-lo na memória, já que em torno de 24 horas depois da memorização, começam a aparecer falhas. Trechos que havíamos decorado no dia anterior, começam a ser esquecidos. Por isso é importante que no máximo no prazo de um dia, nos empenhemos novamente em memorizar a obra em questão. Vamos perceber que com o passar dos dias, as falhas de memória serão menos frequentes até o ponto em que podemos considerar a obra totalmente memorizada.

É sabido que no trabalho de memorização, atuam em maior ou menor grau, sete tipos de memória: muscular, auditiva, visual, analítica, nominal, rítmica e emotiva.

É claro que dependendo da formação do musico, uma memória estará mais presente do que outra e, se pudermos trabalhar o desenvolvimento de todas elas, teremos uma capacidade bem maior de reter o texto musical.Vamos dar uma rápida olhada em cada tipo de memória.A memória muscular é a mais importante para o instrumentista. Com a repetição, racional ou mecânica, de uma certa passagem, o cérebro aprende que sinapses deve fazer para que a musculatura das mãos respondam corretamente à mensagem enviada.

A memória auditiva se vale do “som” da música. Guardamos melodias e harmonias, e estas são importantíssimas para que os movimentos dos dedos sejam corretos. A memória visual tem a ver com o texto impresso. Por isso quanto mais claro, mais fácil de memorizá-lo. Um texto em fotocopia envelhecida, com as notas apagadas, tende a ser bem mais difícil de se reter visualmente. A memória analítica tem a ver com a estrutura da música. Quanto mais sabemos dela, quanto mais a conhecemos através de uma análise minuciosa, mais intima ela é para nós e, consequentemente mais fácil de memorizar.

As memórias nominal, rítmica e emotiva, têm uma participação menor no processo de memorização. Dizemos que são memórias auxiliares. Saber o nome das notas que tocamos, o seu arcabouço rítmico e ter claro a interpretação da obra, sempre auxiliam na memorização musical.

Finalmente devemos lembrar que o cérebro necessita de cuidados: sono regular, outras atividades e descanso para que possa funcionar em seu pleno potencial. Sem isso, dificilmente existe uma memória eficaz e essa, como vimos, é fundamental na vida do musico.

 

Paulo Porto Alegre

 

 

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