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Vinil Review
08 julho 2017

Hermeto Pascoal – Montreux

Em tom de narrativa o que o autor vai descrever é algo quase sobrenatural, o seu encontro no dia 20 de junho de 1984, Local – Circo Voador, dia sexta-feira. O autor chega ao local, quase uma hora antes para mais um concerto do grande mestre Hermeto Pascoal que o mesmo descobriu no I FESTIVAL DE JAZZ EM SÃO PAULO, 1978.

Ele estava presente naquela Jam com John Mclaughlin, Chick Corea e Stan Getz algo inacreditável para a época.

Aguardando no local, conversando com inúmeros entusiastas por essa alquimia sonora chamada Hermeto Pascoal é chegada a hora, 22h00 min da sexta, algo mágico ia acontecer, não era apenas mais um concerto do grande feiticeiro sonoro e sim o encontro inusitado, surreal com esse mestre e a sua trupe de músicos aloprados: Carlos Malta, Jovino Santos Neto, Itiberê Zwarg, Márcio Bahia, Pernambuco, uau!!!!

Eles adentram um a um, criando uma improvisação quase telepática, beirando ao free e indo além da
forma criada pelo Ornette Coleman. Longas introduções apenas serviam para entrada do grande mestre que vinha com tudo improvisando linhas loucas e criativa no Hohner Clavinet e criando uma improvisação como nunca ouvida no jazz, completamente brasileira e ao mesmo tempo ultra-vanguardista provando que aquela turma não precisava passar pelas Escolas Americanas, leia-se BERKELEY SCHOOL OF MUSIC, onde todos saem de um forma bem homogênea um do outro.

Naquele grupo não, tudo soava com um frescor que era quase impossível rotulá-los tamanha diversidade dos ritmos e formas propostos por cada tema: Baião, maracatu, jazz, caboclinho, progressivo, forró e tudo isso calcado numa improvisação, repetido sem precedentes.

O concerto transcorreu com muitas surpresas durante mais de quatro horas com o público ali ensandecido pela usina hermetiana e seus arquitetos sonoros.

No final do concerto, o autor pensou: puxa!!!! Como seria legal, conhecer um cara como esse… Eu vou até lá… E se dirigiu ao camarim e para sua surpresa de cara se deparou com dois membros do grupo, o baixista Itiberê Zwarg e o tecladista Jovino Santos Neto que logo entraram num longo e louco papo musical com vários questionamentos sobre o concerto ocorrido.O assunto foi se estendendo até a chegada do grande mestre que logo o autor deu pra falar ainda mais sobre a vida e obra desse grande músico e ser humano na figura ilustre do Hermeto Pascoal.

Entre uma conversa e outra, Hermeto indagou: Jovino tem um cabra aqui que sabe mais da minha vida que eu.Jovino respondeu, sim é o Mauro, gente fina, o cara sabe tudo sobre ti campeão e deram a falar ainda mais.No final Hermeto se dirigiu ao autor desse livro e disse: Bicho! Vai ter mais um concerto amanhã apareça por aqui, o autor quase teve um troço de tamanha felicidade pelo ocorrido.

Fui pra casa em Jacarepaguá, há mais de uma hora dali, totalmente reluzente e feliz da vida.Chegando em casa, mal dormiu esperando amanhecer para contar a sua família a grande novidade.  Quando a sua família acordou disse: Mãe, Pai vocês não vão acreditar.  Adivinha que eu conheci ontem? Sua mãe citou alguns nomes: Egberto, Sivuca, Joyce… Ele não… HERMETO PASCOAL. A mãe: ai meu Deus, jura filho?  O Hermeto, nossa filho deve ter sido uma noite e tanto. Logo ele respondeu: mãe foi demais, custo acreditar no que ocorreu naquela sexta no Circo Voador.

O autor chegou cedo ao Circo Voador naquela sábado dia 21 de junho de 1984 e  ficou ansioso andando
pra lá e pra cá, aguardando a trupe do Hermeto.Finalmente a turma chega, ajustam os equipamentos seguidos passo a passo por ele, foi perguntando, indagando e querendo saber tudo, logo Jovino passou-lhe dar a atenção devida esclarecendo tudo a cada instante e logo percebeu que era o músico mais por dentro da estrutura daquele gênio intitulado Hermeto Pascoal.

É chegada à hora de mais uma longa noite de música essencialmente brasileira, instrumental e criativa. O autor viu e ouviu cada tema com bastante atenção e logo percebeu que era outro concerto, outra nuance improvisos e improvisados, vindos de uma forma completamente antagônica das normas musicais pré-estabelecidas e ali o autor percebeu que existia algo além do jazz e de qualquer forma instrumental concebida pelo homem

Mauro Wermelinger


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