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Vinil Review
23 julho 2017

PERFORMANCE VI – LEITURA A PRIMEIRA VISTA

Todos aqueles que trabalham com o texto musical escrito, sabem da importância da leitura à primeira vista. Esta habilidade promove um tempo significativamente menor para a total compreensão da musica a ser estudada, o que permite se dedicar mais prontamente ao trabalho da interpretação.

Nos tempos modernos, a leitura à primeira vista também é importantíssima na musica popular, em especial aqueles grupos que trabalham em cima de arranjos escritos. Também cumpre notar as músicas de cena (teatro, cinema), jingles e demais atividades que, até economicamente, dependem de um tempo menor para o aprendizado dos músicos. Normalmente um estúdio não está à disposição de um músico que, arregimentado para aquele trabalho, depende de um tempo muito longo para aprender o que deve tocar…

A partir de agora faço minhas as palavras textuais de Maria Elisa Ferreira Risarto em sua dissertação de mestrado “ A leitura à primeira vista e o ensino do piano” de 2010, UNESP. A leitura da musica, feita através do movimento dos olhos, não deixa de ser uma habilidade motora, mas também exige uma certa inteligência. Segundo Robert Jourdain (em “Musica, cérebro e êxtase”) o campo visual de um musico não avança ao acaso.

Quando um musico lê a partitura a uma distancia divisão normal, a fóvea (minúscula fosseta da parte central da retina dos vertebrados terrestres e diurnos) abarca uma área aproximada de 2,54cm de diâmetro. Ela absorve informações por ¼ de segundo e, depois, pula a próxima fixação, dentro de mais 1/20 de segundo. Essa área é suficiente para cobrir aproximadamente um compasso em uma única pauta.

Entretanto, no caso de um instrumentista habilidoso, o movimento dos olhos segue a estrutura da música, focalizando pontos cruciais, musicalmente significativos. Por exemplo, quando um violonista lê uma melodia apontada por acordes, os movimentos dos olhos seguem o padrão para cima e para baixo. Quando a musica é contrapontística, com duas ou mais vozes movendo-se paralelamente, os olhos deste violonista disparam para trás e para frente. É nesse momento que o musico recorre à sua inteligência para saber em que direção dirigirá a fóvea, a fim de obter bons resultados.

Segundo palavras  de Jourdain: “

Bons leitores à primeira vista captam instantaneamente os traços mais importantes da musica e podem de imediato preencher os detalhes, quando não têm tempo para captar todas as notas. Eles tendem a olhar para sete ou oito notas adiante. Em comparação, maus leitores à primeira vista têm no máximo três notas por antecipação, e o numero de suas fixações é muito maior do que o necessário!”

Por conseguinte, a leitura fluente de uma música tem fortes relações com a capacidade de entender música. Em todo o capitulo o autor demonstra que esta capacidade intelectiva é determinante:

Uma mente musical bem treinada prevê como serão transformados os padrões rítmicos como as melodias serão transpostas, os acordes preenchidos, as frases concluídas. Um cérebro equipado com este conhecimento pode ignorar notas isoladas e prestar atenção a padrões mais amplos, e saberá para onde apontar a fóvea a fim de colher exatamente as informações necessárias e verificar se as previsões estão corretas. A aptidão para ler fluentemente musica tem fortes relações com a capacidade para entender fluentemente musica.”

Somente com treinamento, a mente musical poderá prever os padrões rítmicos e melódicos o fraseado, etc. Assim, notas isoladas serão ignoradas, sendo que a fóvea se dirigirá para onde estas informações estarão, e se elas realmente reforçam as previsões.

Paulo Porto Alegre

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