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Vinil Review
01 agosto 2017

ECO. Uma máquina de escrever, um par de baquetas e uma porção de histórias de bateria!

Aprender com os melhores bateristas do mundo. Esse foi motivo mais que suficiente para que eu e meu amigo Cássio Leite, também baterista, publicássemos a primeira revista de bateria da América Latina – a ECO. Com uma porção de idéias em nossas cabeças, uma máquina de escrever e muita vontade de falar sobre o assunto, iniciamos o ousado projeto em 1987 – e lá se foram 30 anos!

Como publishers tivemos a possibilidade de bater papo com bateristas como Tony Willians, Max Roach, Gerry Brown, enfim, bateristas que se confundem com a própria história do instrumento. Já como bateristas tivemos a oportunidade de aprender, com lições de música e vida, conhecimento que currículo de escola nenhuma pode oferecer em tempo algum. Após a publicação de cinco edições, a ECO deixou de circular em território nacional.

Hoje, trinta anos depois, o Vinil Review traz trechos da entrevista com Tonny Willians, além de material exclusivo com Vinnie Colaiuta e Steve Gadd – ou seja, que não foi publicado na ECO.

Steve Gadd

ECO – Quem é Steve Gadd?

Steve Gadd – Não sei quem sou hoje, estou tentando descobrir (risos). Sou um pai que tem dois filhos do primeiro casamento, e mais dois com minha atual esposa, Carol.

ECO – Steve Gadd é responsável por influenciar gerações de bateristas.Você considera Dave Weckl um dos bateristas que sofreram essa influência?

SG – Nunca dei aula para o Dave, embora já tenha ouvido ele dizendo que sofreu influências do meu estilo. Provavelmente foi só por me ouvir, que é assim que muita gente aprende. Tenho muito respeito pelo Dave, como baterista, músico e também como homem de negócios. Ele cuida muito bem dos seus negócios.

ECO – Você gostou de ter sido convidado por Dave para gravar Master Plan?

SG – Para mim foi uma grande honra ter sido convidado para gravarmos uma faixa juntos.

ECO – A música latina vem sendo fonte de inspiração para bateristas de todo o mundo. Você também sofreu influências desse gênero musical?

SG – A música latina me inspirou muito. Amo o samba e adoro ouví-lo. Não sei quanto a outras pessoas, mas a música latina me afetou muito, assim como para Chick Corea, que busca muito nessa música.

 

Vinnie Colaiuta     

ECO- Você ainda estuda diariamente?

VC – Tenho tentado, apesar da dificuldade de praticar enquanto estou na estrada. Em casa estudo, no mínimo, uma hora diariamente.

ECO – Quais exercícios?

VC – Os execícios básicos como, single-stroke, double- stroke e flams.

ECO – E os métodos de independência?

VC – É uma questão de imaginação. A idéia é pegar um grupo de strokes e variar o máximo possível, deixando a imaginação livre para usar esse estudo de forma inconsciente. Por uma questão de persistência, o exercício é memorizado e os músculos, por serem mais lentos que a mente, tornam-se treinados pela repetição. Superando o consciente, começa o improviso. É esse o objetivo. Estudando com um professor, por exemplo, você pode estar improvisando a partir do momento que ele passa um exercício e você muda uma nota.

ECO – Algo assim como aplicar uma idéia imediatamente?

VC – Sim, quando seu físico deixa de ser um obstáculo, um exercício passa a ser música. Os estudantes devem compreender que muitos livros foram escritos para depois serem tocados, mas isso não quer dizer que as notas escritas sejam música. São apenas notas e jamais iremos interpretar como quem as escreveu, mesmo lendo exatamente com está escrito.

ECO – Então os livros interferem na musicalidade?

VC – O que quero dizer é que tem muitos bateristas tocando bem, simplesmente porque tocam música. O que tocam não são apenas exercícios prontos tirados de algum livro. Também não sou um ganster contra os livros. Eles são importantes, mas a interpretação é muito relativa de leitor para leitor. O melhor é saber utilizá-los para que não limitem a sua musicalidade.

ECO – Quer dizer, aprender com livros não é simplesmente copiá-los?

VC – É o único caminho para tocar livremente. Penso apenas em deixar o corpo livre para corresponder ao que minha mente quer fazer. Se errar, vou poder corrigir.  Prefiro assim, ao invés de pensar quatro compassos antes o que vou fazer.

 

Tony Willians

ECO – Por que a opção por três surdos?

TW – São mais opções de tons graves. Meus tom-tons sobre o bumbo são de tonalidade muito alta e contrastam com o grave do bumbo.

ECO– Você usa a mesma baqueta para tocar e estudar?

TW – Uso sempre o mesmo tipo de baqueta, todo o tempo.

ECO – Como foi seu aprendizado musical?

TW – Quando comecei a tocar, tinha 9 anos de idade e vivia em Boston, Massachussets. Aos 12 anos tive minhas primeiras lições para aprender leitura musical, e comecei a tocar com a orquestra de Jack McLean, um saxofonista de Boston que me convidou para tocar em Nova Iorque. Lá as coisas aconteceram.

ECO – E suas influências?

TW – Minhas influências? Bem, Max Roach, Philly Jo Jones, Art Blakey.

ECO – Que tipo de exercício você pratica?

TW – Eu não pratico mais.

ECO – E há alguns anos atrás, quanto tempo você praticava diariamente?

TW – Eu praticava por volta de oito horas por dia ; no mínimo duas horas, mas normalmente oito horas.

ECO – Qual de seus trabalhos você considera o melhor?

TW – O próximo.

Sallaberry

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