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Vinil Review
22 agosto 2017

Bill Evans & Jim Hall. Two-Man Band

Aproveitando-se do título do álbum de Frank SinatraIn the Wee Small Hours“, Undercurrent é o disco para “essas horas“. Tanto Bill Evans, quanto Jim Hall admiravam a música de câmera e tinham a vivência nesse tipo de música, Bill com seu inigualável trio com Paul Motian e Scott La Faro e Jim no intimista Jimmy Giuffre’s trio. Alguns críticos querem encaixar  esse disco como Chamber Jazz  Music mas a impressão é que a música flutua, é leve, vaga pelo espaço. Querer espremer a música para dentro de um estilo sempre a reduz. A  música de Undercurrent é etérea, sublime e misteriosa como a foto da capa.

O disco foi lançado em 1962, somente um ano após a morte de Scott Lafaro ( baixista no trio de Bill Evans que morreu tragicamente num acidente de carro somente 10 dias após a gravação do histórico  àlbum “Sunday at the Village Vanguard ), fato que abalou muito o pianista e que  talvez ele nunca tenha superado. Esse sentimento de perda também permeia algumas faixas do disco.

Existe uma fórmula para que dois músicos tenham uma sinergia, uma empatia e um entrosamento tão perfeitos, um completando e destacando as qualidades do outro? Uma conversa espontânea, relaxada, utilizando-se das pausas para criar ainda mais ambiência ? Acho que a resposta está no imponderável.

O disco abre com My Funny Valentine com o piano e a guitarra num abraço intrincado fazendo o tema, destaque para os acordes sincopados de Bill Evans segurando para a guitarra e depois o solo de piano que mostra uma versão mais nervosa do que estamos acostumados a ouvir nas interpretaçãoes dessa balada  composta por Richard Rodgers e Lorenz Hart

I Hear a Rhapsody é lenta, com poucas notas certeiras e carregada de emoção, vou usar uma parte da letra de uma música do Tom Waits que define bem como essa canção me atinge. ‘Cause every time I hear that melody, well, something breaks inside”. Dream Gypsy começa com aqueles acordes mágicos do Bill Evans, o lugar onde ele vai buscá-los me intriga. Romain é daqueles temas que dão um aperto no coração de tão bonito, Bill Evans faz uma harmonia misteriosa ao fundo para o solo da guitarra, logo em seguida os instrumentos seguem dialogando. O final da música é imponente e glorioso em sua simplicidade.

Skating in Central Park realmente passa a impressão de um Domingo no parque,no entanto,um dia nublado. Ainda sim, é a faixa do álbum mais afável. Darn that Dream encerra o àlbum originalmente lançado em vinil com 6 faixas. Em outras reediçoes em CD, foram adicionados os bónus: Stairway to the Stars, I’m Getting Sentimental Over You, My Funny Valentine [Alternate Take], Romain [Alternate Take].

O disco é comovente mas sem sentimentalismos, definitivamente um marco na discografia do Jazz e uma obra de arte. Uma referência para muitos músicos.

O Duo viria a gravar novamente em 1966 com o àlbum “Intermodulation

A capa do disco Undercurrent é uma foto de Toni Frissell –WEEKI WACHEE SPRING, FLORIDA (1947).

Toni Frissell, or Antoinette Frissell Bacon, (March 10, 1907 – April 17, 1988) was an American photographer, known for her fashion photography, World War II photographs, and portraits of famous Americans, Europeans, children and women.

 

João Carlos Fávaro

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