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Vinil Review
11 setembro 2017

Estúdio Vice -Versa, uma lembrança de Alaor Neves.

A pedido do querido “brimo” Duda Neves, vou falar um pouquinho sobre os estúdios Vice-Versa em São Paulo, onde muuuuita história musical de extrema relevância aconteceram, em uma época de constante revolução e grande significado nas nossas carreiras. No inicio da década de 80, aconteceu a minha entrada no “seleto” grupo de colaboradores dos estúdios Vice-Versa, por intermédio do incrível maestro, e guru de certa fora, Rogerio Dupat, que junto a Sá, Guarabira, Luis Botelho, e Fernando Ribeiro capitaneavam a produtora que mantinha os estúdios. Os bateras que se revezavam executando os trabalhos que lá eram produzidos, os mais frequentes, eram Pedrinho (Som Nosso de Cada Dia), Duda Neves e eu, Alaor Neves.

 

Gravávamos muita publicidade, trilhas para filmes de longa metragem, curtas também,  inúmeros álbuns de artistas e muito material experimental. Era um formato de mercado muito diferente do que hoje acontece. Rolava uma grande quantidade de produções, que obrigava logísticas mirabolantes para cumprir os trabalhos. Muitas vezes dormi, em baixo do piano do estúdio “A”, pois não teria tempo de ir para  casa me recompor até a próxima produção. Eu, na época, já era casado, já tinha meus três primeiros filhos e mais da metade do meu orçamento era conseguido em gravações, com a maioria vindo da Vice-Versa. Todos nós, além das gravações, trabalhávamos ao vivo com artistas, fato que obrigava uma verdadeira operação estratégica para nos manterem em seu quadro de colaboradores, situação que nos enchia de orgulho e satisfação

Era uma atmosfera única que nos envolvia nesse tempo. Além do equipamento de ponta, engenheiros do mais alto nível, pessoal de recepção, administração, criação, músicos de primeira linha, sempre havia um clima de descontração, muita responsabilidade e um sentimento empático, colaborativo, simpático e amistoso entre todos, sem exceção, que ali trabalhavam.

Ali pude trabalhar, interagir, com produtores  fantásticos como Rogerio Duprat, Ruria Duprat, Sergio Caffa, Chiquinho de Moraes, Amilson Godoy, Bozo Barret, Guto Graça Melo, Eduardo Sotto Neto, Cezinha de Mercês, Pichu Boreli, Servulo Augusto,  Armandinho Ferrante, enfim, só para citar alguns, além dos músicos, artistas e pessoas maravilhosas, que até hoje fazem parte do hall de minhas amizades.

Hoje, vivendo no exterior, um dos fatores que me causam uma certa “tristeza” e melancolia, além da distancia de minha família, certamente é a privação da convivência com esses amigos que tiveram a Vice-Versa como amalgama dessas relações, que tenho 100% de certeza, serem para a vida toda. Me considero um sujeito de muita sorte por ter tido a oportunidade de  participar, junto aos inúmeros profissionais com os quais ali convivi e que foram definitivos em minha formação profissional e noção de mundo.

A Vice-versa foi fundamental para mim e para cada um que ali estava junto comigo, em uma fase que faz parte definitiva da historia do áudio no Brasil. Me congratulo com todos os amigos, os que estão ainda e os que já partiram para outros planos mas, que até hoje guardo com enorme carinho e admiração. Falar, ou lembrar da Vice-Versa, até hoje me emociona…….muito….!!!

 

Alaor Neves

 

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