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Vinil Review
19 setembro 2017

Tony Williams. Mr. Tony

Tony Williams é um dos principais bateristas da História do instrumento. Mudou a linguagem dos tambores e participou da transição do principal movimento da História do Jazz, a fusão do Jazz com o Rock, o Pop, o Jazz Fusion, ao lado do trompetista Miles Davis em sua extensa discografia. Começou tocando com o Mestre aos 17 anos. Contam a história que  o dono de um jazz bar nos USA reclamou da intensidade sonora do baterista e Miles não teve dúvida, foi embora da casa com sua banda.

Williams era um elemento vital do grupo, considerado por Davis em sua autobiografia como “o centro em que girava o som do grupo“. Suas interpretações criativas ajudaram a redefinir o papel da seção rítmica do jazz através do uso de polirritmias com muita originalidade e assinatura.

Williams nasceu em Chicago e cresceu em Boston. Tinha ascendência africana, portuguesa e chinesa. Estudou com o baterista Alan Dawson.

Williams participou da vanguarda do Jazz na década de 1960, tocando como prodígio desde os seu 13 anos com Jackie MaClean, Sam Rivers, Eric Dolphy, entre outros. Seu primeiro álbum como líder, foi o “Life Time” de 1964, já ouviu? Fundamental!

Em 1969, formou um trio, Tony Williams Lifetime, com John McLaughlin na guitarra e Larry Young no órgão. Lifetime era uma banda pioneira do movimento Fusion , uma combinação de Rock, R & B e Jazz. Seu primeiro álbum foi “Emergency”.  Em 1975, Williams reuniu nova banda a “The New Tony Williams Lifetime”, com o baixista Tony Newton, o pianista Alan Pasqua e o guitarrista inglês Allan Holdsworth. O trabalho “Believe It” é excelente. O trabalho “The Old Bum’s Rush”, de 1972, é meu preferido, está no meu celular, maravilhoso.

 

 

 

Em 1979, Williams, McLaughlin e baixista Jaco Pastorius se uniram para uma performance única no Havana Jazz Festival. Este trio passou a ser conhecido como o Trio of Doom , uma poderosa combinação, formação onde a improvisação era constante

Seu último trabalho solo “Wilderness”, de 1996, também é antológico. Ouça Já, rs.

Tony assinava as composições e arranjos com a utilização da linguagem erudita, com o uso de instrumentos da orquestra sinfônica.

Tony Willians faleceu jovem com 51 anos de ataque cardíaco após cirurgia de vesícula biliar. Viveu de 1945 a 1997.

No meio “baterístico”, tenho certeza que Tony Willians sempre estará entre os 5 maiores bateristas de todos os tempos.

Tive a oportunidade de assistir Tony ao vivo em um workshop e show no Macksoud Plaza em São Paulo, na década de 90. No workshop, ele disse para começarmos com as perguntas antes dele começar a tocar e eu fui logo levantando a mão e perguntando: “- Mr. Tony, aqui no Brasil não temos acesso a métodos de estudo para Bateria, o Sr. poderia dar uma dica?”. Ele respondeu na lata: “Eu não acredito em Métodos” e ficou quieto, deixando uns 10 segundos de silêncio no ar com a cara amarrada. Foi quando o Laurão Lellis soltou essa: “- Que cara bravo, deve ter brigado com a mulher”. Foi um riso geral. O tradutor ficou sem graça, não traduziu a piada e a fera ficou sem saber o que fazer, mas fez: sentou na batera e tocou durante uma hora sem parar, detonou, uma intensidade incrível. E levantou-se e foi embora, deixando todos incrédulos. Queria muito um autógrafo dele. Fiquei na porta do elevador do Hotel esperando ele descer para assinar minha pele de bateria. Depois de algumas horas “apareceu a margarida” e me assinou. Ídolo.

Duda Neves

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