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Vinil Review
24 outubro 2017

Oscar Peterson Trio – Tristeza on Piano

Para mim (e tantos outros) Oscar Peterson é o Pelé do Piano.
Ouvindo Oscar Peterson desde pequeno, claro que é uma das mais importantes referências para mim, sob inúmeros aspectos.Ao longo de sua carreira, Oscar esbanjou técnica, inovação, elegãncia e bom gosto em seu piano de estilo inconfundível,sempre acompanhado por músicos de primeira.

Sua técnica de acordes em bloco, frases oitavadas, as “puxadas” nos graves e velocidade descomunal são marcas registradas. Oscar é um mix da escola erudita ( a qual estudou muito ), jazz e blues, regadas a muita criatividade e perfeccionismo. É daqueles pouquíssimos músicos que imediatamente despertam nossa memória emocional e encantamento. A coisa que acho mais legal, é a intimidade que Oscar tem com a música e com o instrumento que a traduz, o Piano que encaixa suas ideias musicais.

Neste LP de Oscar “Tristeza on Piano”, de 1970, o qual descobri graças ao querido colega de música Bruno Cardozo que me apresentou anos atrás, quando gravei o CD “Notas no Ar” (https://www.youtube.com/watch?v=_e5P-SClE1Y ) em seu estúdio BRC, Oscar Peterson mostrou mais uma vez sua paixão pela música brasileira ao gravar “Tristeza” ( Haroldo Lobo e Niltinho ) e “Triste” (Tom Jobim) , pois já havia gravado Tico-Tico no Fubá ( Zequinha de Abreu) anteriormente, e posteriormente ainda viria a gravar  “Wave”, “Chovendo na Roseira” de Jobim, entre outras .

Destaco as faixas:

Em “Tristeza on Piano”, vale a pena sacar a energia alucinante da interpretação de “Tristeza” (faixa 1), Oscar vai puxando tudo para frente, o andamento chega a acelerar, e baixo e batera vão juntos.

Na faixa 2 ( “Nightingale” de Oscar Peterson, Gene Lees ) reparem na maravilha que o baterista Bobby Durham faz com o chimbau ;

Para mim, a mais linda interpretação da maravilhosa balada “Porgy” (George Gershwin, DuBose Heyward)  que já ouvi, faixa 3; Reparem no toque delicado de Oscar, é mais do que mágico, tão carregado de emoção;

Na faixa 7, “Down Here on the Ground” (Lalo Schiffrin, Gale Garnett), a mais longa do LP, vale a pena ouvir a construção de um momento espetacular, que acontece aos 5´33”. Um espetáculo no qual Oscar faz melodia crescente em oitavas com a mão direita, acompanhado maravilhosamente pelo baterista crescendo nos pratos.

Michel Freidenson

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