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Vinil Review
07 novembro 2017

João Sousa, da “Red Clay”- Um Oleiro dos Sons.

Nessa edição do Vinil Review vou comentar um pouco sobre um personagem de extrema importância na divulgação da percussão de forma geral, em Lisboa, com reflexos em toda Europa.
Trata-se do querido João Sousa, proprietário de uma “loja” ímpar, a “Red Clay Store”.

É ímpar por comercializar somente instrumentos de percussão de toda parte do mundo.

O João é daqueles caras que você acaba de conhecer, mas tem a impressão que já o conhece há anos, tamanha é sua simpatia e empatia em todas as situações. É um grande artesão na arte de manipular o barro, “oleiro”, ele faz jarros de barro para percussionistas. Está a frente dessa loja inusitada, onde promove frequentemente workshops, quase um por semana, as vezes dois….! com músicos novos e também com já consagrados.
Nessa minha temporada em Lisboa, pude acompanha-lo bem de perto e percebi seu grande amor e sensibilidade para com a música e seus realizadores.
Reproduzo abaixo uma matéria de uma revista de grande circulação na Europa, onde comentaram seu trabalho de forma bastante consistente, apesar de bem resumida.
Com vocês, João Sousa, da “Red Clay”,

 

        Reinventar o Barro no Século XXI

Em 2010 nascia a marca que, pouco a pouco, se tem tornado cada vez mais procurada por alguns dos melhores percussionistas a nível mundial e que tem a particularidade de ser produzida num produto considerado ultrapassado pelos tempos modernos, referimo-nos à Red Clay e ao modo como reinventou o barro,tornando-o numa das tendências musicais do século XXI e escolha de eleição de músicos internacionalmente reconhecidos como Rão Kyao, Rhani Krija (percussionista de Sting, Sarah Connor, WDR Big Band, Dominic Miller), Pete Lockett (percussionista que tem gravado e tocado com Björk, Peter Gabriel, Dido, The Verve, Texas, Pet Shop Boys, Sinead O’Connor e muitos outros bem como compondo para vários estúdios de Hollywood, com principal destaque para as bandas sonoras de vários filmes de 007,e que foi considerado pelas revistas “Rhythm” e “Modern Drummer” como sendo “o melhor percussionista do mundo” em 2005 e 2010/2011, respectivamente), Jarrod Cagwin (Sezen Aksu, BBC Orchestra), Rónán Ó Snodaigh (Kíla), Marcos Bosco (Rita Lee, RPM, Caetano Veloso, UFO, Sepultura, galardoado com 2 Grammy), Ruca Rebordão (Madredeus, Alejandro Sans, Moonspell, Mike Ryan), Marito Marques (Fingertips, Aurea, Yami) ou Lea Mullen (Vanessa Mae, George Michael).

Em meros sete anos, o mestre em olaria João Sousa, apodado pelos restantes oleiros de “oleiro dos sons”, conseguiu não só recuperar um material considerado como menos nobre e ultrapassado pelo tempo mas também populariza-lo do Canadá até ao Brasil, passando pelos Estados Unidos e por toda a Europa, recriando de raiz instrumentos que muitas vezes já só estavam disponíveis em museus, caso das ocarinas, o seu primeiro sucesso.

A sua árdua investigação levou-o a estudar equipamentos de sopro atribuídos aos maias e aos astecas, passando à descoberta da percussão africana em barro, caso do udu, e indiana, caso do ghatam. Por tentativa e erro conseguiu dominar a técnica necessária para ressuscitar todos estes instrumentos, criar instrumentos próprios e recriar outros tradicionais utilizando o barro e a pele curtida, estendendo a marca Red Clay a bodhrans, ovnidrums, arpas, frame drums, tarolas, adufes e até ao seu único “erro”: as guitarras em barro, funcionam mas são de uso limitado uma vez que a fricção necessária a uma constante afinação acaba por as danificar, razão pela qual deixou de as produzir.


O sucesso tem sido tal que nem passada uma década após o seu início, a Red Clay foi convidada a ir à Índia auxiliar na recuperação da construção de instrumentos locais em barro numa iniciativa da Índia Foundation for the Arts, partilhando a sua investigação e métodos utilizados com inúmeros aprendizes nas cidades de Bangalore e Déli de modo a perpetuar as olvidadas tradições musicais locais. A marca Red Clay tem-se destacado pela atenção ao pormenor, pela utilização dos melhores materiais (a argila vermelha) e fornecedores (no caso das peles e alguns apetrechos de madeira) e a diferenciação musical tão apreciada no universo da música, uma vez que, por exemplo, um ovnidrum ou uma pandeireta em barro terão um som distintivo das opções industriais em madeira ou metal da concorrência, razão pela qual os percussionistas (bateristas, para os leigos) que tocam e gravam com alguns dos nomes mais sonantes da música internacional, seja esta a pop, o jazz ou o rock mais pesado, viram nesta marca, que ainda nem conta com uma década de existência, uma mais-valia para as suas composições.

Os seus instrumentos são construídos em barro vermelho e torneados artesanalmente em roda de oleiro, utilizado técnicas ancestrais aplicadas à recriação de instrumentos de todo o mundo atribuindo-lhes novas sonoridades, uma vez que os instrumentos são vidrados a altas temperaturas a marca garante que a sua resistência às alterações atmosféricas e utilização frequente por parte dos músicos os torna num artigo que pode durar gerações, conquanto, claro está, que não os atirem ao chão.

Alaor Neves

Contactos * www.redstore-percussion.com * redstorepercussion@gmail.com * Tel:
351 913 796 083 * Red Store, Galeria Via Veneto, Avenida João XXI , 72B -Lj30, 1000-
304 Lisboa, Portugal

 

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