Post Exclusivo

Vinil Review
24 novembro 2017

Frank Zappa – Orchestral Favorites

Esse álbum gravado em 1974/75 e lançado somente 4 anos depois, jogou um balde de água fria nos fãs que estavam mal acostumados com os discos anteriores influenciados pelo Rock e tendo a guitarra como protagonista, mas

Zappa não tem fãs e sim uma legião de soldados, prontos a defender sua obra, mesmo que não tenham entendido nem o primeiro compasso e secretamente prefeririam ter jogado o disco no lixo, deixam empoeirando na estante, porque afinal é um “Zappa”.

O disco tem 5 faixas compostas para orquestra, daqui há 100 anos, essas e outras composições do gênero, serão o maior legado de Frank Zappa. O disco não é fácil de digerir, principalmente se for analisar a obra comparando com outros trabalhos do compositor, eu prefiro analisar a obra isoladamente, ou ela é boa ou não é, independe de outros álbuns para chegar a essa conclusão.

Escolhi “Duke of Prunes”, lançado originalmente no álbum “Absolutely Free”, que mostra um combo de Rock interagindo com a orquestra de 37 músicos. Digo interagindo por que é diferente de quando se contrata uma orquestra para sustentar um acorde ao fundo, para a banda tocar exatamente a mesma coisa que tocariam se estivessem sozinhos, daí lançam um DVD.

Quando a música começa, Terry Bozzio já ganha a minha atenção se impondo com a levada da bateria, cheia de variações na marcação do tempo, seguindo assim por toda a primeira parte. Um novo tema, chega como que sobrevoando, dando à música uma sensação de leveza, revelando toda a sutileza e colorido dos instrumentos e abrindo caminho para a guitarra. Vibrando as cordas, com um belo timbre de distorção e volume no ponto certo, chegam os feedbacks, sofisticados e que habilmente controlados, gelam a espinha! Continuam assim, criando climas. Utilizando a mesma técnica sobre notas ou sobre acordes, Zappa construiu todo solo sobre feedbacks, sempre sob seu julgo.

Esse disco não tem apelo comercial algum, a começar pela capa de gosto duvidoso, de responsabilidade da Warner Bros que já estava em litígio com Frank Zappa, mas principalmente porque no momento da obra ser concebida, o compositor não leva em consideração se irá agradar ao público, se tiver boa aceitação, ótimo, mas a composição serve ao propósito de satisfazer as necessidades artísticas do autor.

Vale a pena insistir na audição do disco, comece por Duke of Prunes, a recompensa virá! Se não funcionar, volta para o Bobby Brown que tá valendo também. Convido-o a assistir a animação com “massinhas” abaixo:

 

João Carlos Fávaro

 

Comentários

Comentários

|