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Vinil Review
29 outubro 2018

Tony Scott – Sung Heroes

Tony Scott (Anthony Sciacca), clarinetista, pianista, guitarrista, teve sua educação formal na famosa Juilliard School of Music, mas seu grande aprendizado foi na rua, não qualquer rua, falo da Rua 52 em NY, nos anos 40, local onde pululavam músicos e bares de Jazz, Strip Clubs…além disso, havia algo especial naquela época(40’), a velha geração se interessava pelos caras mais novos ávidos por “tocar”. Tony Scott tocou com todos, Billie Holliday, Duke Ellington, Lester Young, Art Tatum, “Hot Lips” Page… mas quem mais chamou atenção de Tony Scott foi Charlie Parker, ele tinha uma verdadeira reverência pelo Mestre.

 

Tony teve a sorte de ser “adotado” pelos jazzistas mais velhos, principalmente os negros, há uma passagem contada pelo próprio Tony Scott que ilustra bem   esse ambiente.

Ben Webster me colocou sob suas asas, ele tomou conta de mim e tornou-se meu professor (mentor). Ele me disse para ir de bar em bar pela rua 52 e assimilar o máximo que eu pudesse. Só de estar naquele ambiente.me proporcionou o tipo de experiência que os caras mais novos não vão encontrar hoje”

 

Esse tipo de mescla, formação musical formal mais a vivência na noite, fez desse estilo (Jazz) algo único, original e que não podia ser imitado.

Bill Evans é o pianista, estava começando a carreira e Tony Scott, assim como Ben Webster havia feito com ele, também foi quem apresentou a Bill Evans a cena musical de NY, ofereceu trabalho em seu próprio grupo e o levou aos melhores locais para tocar e gravar, pode-se dizer que foi quem “revelou” Bill Evans (se bem que um músico desse calibre possui luz própria e vai brilhar de qualquer forma).Tony Scott também estava tocando o “fino” na década de 50’ e também tinha o reconhecimento de seus pares.

Pela primeira vez Scott La Faro e Bill Evans estavam gravando juntos, um prelúdio do que viria a ser uma das maiores  parcerias  da história do Jazz e que tragicamente viria acabar muito cedo. Completava a formação o baterista Paul Motian.

Foco na faixa “Misery”, dedicada a Lady Day (Billie Holiday) que começa com uma introdução do piano realmente tocante, Bill Evans tinha finalmente encontrado seu “som”. O baixo de Scott La Faro é contido mas já é possível ver a mágica da integração entre os dois acontecendo, uma bruma começa envolver a música, um ambiente de sonho que é quebrado pelo som cristalino do clarinete executando o tema, é possível ouvir as notas se debatendo nos lábios do Tony Scott  para soarem ainda um segundo a mais.

O disco foi gravado em 1959 mas só lançado em 1986 pelo selo Sunnyside  e contém ainda outras homenagens aos amigos e ídolos, como nas músicas “Requien for Hot Lips”, “Remembrance of Art Tatum”, “For Stefan Wolpe”. Com a morte de muitos de seus Mestres e amigos, os EUA já não fazia sentido para ele, então a partir de 1959 correu o mundo em busca de novos sons  para se “encontrar” novamente gravando excelentes discos.

 

 

Abraços
João Carlos Fávaro

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